Entrevista: como as emoções afetam a pele

7 de fevereiro de 2017. Categoria(s): Pele

Estresse dá acne? Crises de ansiedade podem resultar em alergias? A questão da influência das nossas emoções no desenvolvimento de problemas de pele é bastante estudada. Consultamos a psicoterapeuta Maura de Albanesi para entender um pouco melhor como isso funciona:

Como as emoções afetam a pele?

Vários estudos comprovam que as emoções afetam a pele. As formas são as mais variadas: podem ser desde uma simples erupção cutânea até uma queda severa de cabelo, entre outras.

Alguns profissionais afirmam que pessoas tensas e perfeccionistas são mais sujeitas a desenvolver certas doenças na pele. É verdade?

Creio que devem ter uma tendência maior, sim. A pessoa muito tensa ou perfeccionista, quando o planejado não sai dentro do esperado, pode provocar em si, através da somatização, várias doenças, inclusive as de pele.

As alergias podem ser um sinal de estresse?

Normalmente sim, mas a alergia está muito ligada às questões emocionais e a uma agressividade mal direcionada. Todo o estresse leva a algum tipo de doença, não só as de pele. Eu diria que a alergia está ligada a aspectos emocionais em que o indivíduo não está sabendo lidar com a sua raiva, com a sua agressividade e isto estoura no limiar, ou seja, na pele ou ainda na respiração.

É importante incluir os aspectos psicológicos na abordagem dos tratamentos? Como os profissionais da área da saúde e da estética podem fazer isso corretamente?

É importante incluir, mas isso depende muito do tipo de profissional que a pessoa alérgica procura e a linha de atuação. Para o profissional da área estética é importante aconselhar a procura de ajuda terapêutica.

A pele expressa os nossos sentimentos mesmo quando não estamos cientes deles? Ou seja, a pele consegue refletir conflitos e tensões presentes na personalidade?

Sim, na maioria das vezes não temos consciência dos nossos conflitos. Mas adoecemos devido a eles. E isso é comum. Em alguns casos, isso tem relação com a raiva que sentimos toda vez que uma situação aparenta ser injusta. Diante da injustiça, a reação de se calar, mas explodir por dentro, se reflete em feridas na pele. Nesse caso, devemos tratar conceitos, crenças e percepções sobre o que é justo ou não e como direcionar a raiva para tarefas produtivas.

As doenças de pele afetam significativamente os relacionamentos, a comunicação e, em particular, a convivência social. Como trabalhar isso com o indivíduo?

Novamente trabalhando os aspectos emocionais que o fazem sentir tão diferente dos demais. É importante incentivar a pessoa a procurar lugares em que seja aceito e querido, pois, normalmente, ela traz consigo complexos de rejeição. O deixar afetar a relação está mais ligado ao medo da rejeição do que a aparência em si.